Eu.
Um paradoxo entre minha razao e minhas circustancias.
Quisera ter dito o que deveria ter sido dito mesmo naquela ocasiao.
Mas, nao.
Era melhor estrangular as proprias palavras e soltar um "Voce que sabe".
Soava mais arbitrario, dando a ideia de que deixei uma escolha.
Ele, ressabiado pela minha falsa complacencia, quis ir embora.
Porém, dessa vez suas pernas o traiu.
O olhar de quem quer fuzilar estava abarrancado em meu decote, que o engolia.
Depois de tantas frases incertas, ja nao sabia se era certo se poderia mergulhar outras coisas além de seus olhos por ali.
Nem me importei por mais uma noite sem companhia.
Virei-me, como aquela que nao esta se incomodando com uma situaçao constragendora e decisiva.
Mas senti uma mao em meu braço e uma voz quase falhada dizendo "restez ici, s'il vous plaît".
E so pelo s'il vous plaît, fiquei.
Isso de poder dizer que era como um favor mesmo, me instigou.
Marejado, aquele par de olhos esfomeados me suplicavam uma explicaçao pela minha cafagestagem.
Embora os mesmos ja soubessem que nao teria nenhuma plausivel.
Foi o que foi e pronto.
Ja estava feito.
O fato do meu nao arrependimento era o que o machucava.
Mas estava bem claro, desde o inicio.
"Das cadelas que nao tem dono, que nao obedecem."
Frase de praxe, pra quem eu sentia de primeiro contato que nao me doaria por inteiro.
Tenho dessas coisas, de saber se vou ser de alguém ou nao.
Ele pensava que eu poderia estar enganada.
Mas como alguém além de mim poderia saber que portaria meus sentimentos?
Engano o meu.
Reparei naqueles labios estremecidos e na tremedeira das canelas que eu ja pertencia àquele ser indulgente.
Pelo menos por uns dias.
Isso de "pra sempre" era tempo demais.
Sou vulneravel, declaro.
Permiti que eu me envolvesse sem pudores e sem ruidos de vozes, por aquele instante.
"Va, me queres? entao possua-me aqui na frente dessa via publica, agora."
De um tenro abraço, mudo, fui tomada por uma indizivel sensaçao, daquelas que voce se perde e nao quer se achar.
E depois do silencio, aquele sotaque franco-portugues cantarolando baixinho "te perdoo, por ergueres a mao, por bateres em mim, por rodar exuberante..."
Jogou baixo, atingiu meu ponto fraco.
Me fez ficar, presa em mim. E esse "mim" tornara-se "ele".
Junçao.
"So por uns dias", pensei relutante.
Engano o meu.
Improvavel.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
D e s c a r r e g o
Dor.
Melhor que senti-la, é provoca-la.
Noticias de além-mar chegam aos olhos torcidos através de uma janela aberta com status ausente.
Assim.
Duro e sem mais delongas.
Nada de amaciar antes; nao teria como chacotear depois.
A deixa sem ter onde pisar, rouba-lhe o chao.
Anuncia-se de subito.
Ela recebe as breves palavras como um tapa seco na face
momentaneamente desprotegida.
E desta vez, o tapa nao a agrada.
Sente-se tola.
Mais do que em qualquer outro instante.
Ruboriza.
De raiva.
Por ter se deixado levar por algo nunca tocado ou sentido de fato.
Tansa!, deixou-se dominar por chulas calhordagens disfarçadas de requinte..
.
Quer gritar,
Embora tudo leva a crer que nao vale a pena despertar os vizinhos com seus berros futeis oriundos de um caso frouxo.
Ja é madrugada.
E a madrugada a espera como um prefacio de um livro sem fim.
Cigarros acesos e apagados simultaneamente.
Goles generosos de cha.
Sem alcool por hoje.
Ja basta a embriaguez da nudez em que esta vestida.
No fundo ja sabia que nao passaria daquelas despretensiosas bobagens, claro.
Era apenas um apego barato pra embustear a solidao.
Pega-se sorrindo.
Ela deseja o ilimitavel.
Ela quer o flexivel.
Uma ultima homenagem ao malandro?
Esta' certa de que nao a fara'.
O consolo para o nada que estava disfarçado de
rubra cor,
Sera' um cartao-postal que mesmo tendo sido enviado
Nunca chegara'.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Convite de (sex)ta-feira
Embotar as mazelas
Fincar unhas em seios brandos
Disfarçar as alheias particulas de submundo
Corar cintilante
Se pintar pra depois se apagar
Botas até os joelhos
Sem dizer nada de muito profundo,
Gesticular.
Reproduzir em falsete
Risos estridentes
Pernas que cruzam
Peitos que arfam
Olhos que se veem e nao se encontram
Apos queixas sublinhadas poder extrair quase que depressa
De forma quase superficial
Apenas algumas gotas de esperma.
Fincar unhas em seios brandos
Disfarçar as alheias particulas de submundo
Corar cintilante
Se pintar pra depois se apagar
Botas até os joelhos
Sem dizer nada de muito profundo,
Gesticular.
Reproduzir em falsete
Risos estridentes
Pernas que cruzam
Peitos que arfam
Olhos que se veem e nao se encontram
Apos queixas sublinhadas poder extrair quase que depressa
De forma quase superficial
Apenas algumas gotas de esperma.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Ultim'outono
Um ser
Dois tempos
Vias que se cruzam
Veias que entopem por excesso
movimentos
Estopim escasso
Cacos de fado
Rimas sem graça
Falta de cena
Vértebras que se quebram
nao de fragéis
Mas por um pacifico pressagio
Talvez, desalentos
Era pra nao soar como poesia
Embora a aurea favorecesse
as cinzas
...todavia
soam sinos, soam limbos
Soa o
corpo
Que afoito
Chora suor melodioso
Chora secreçoes mal ditas
- em tardes rubras
derradeiras
Estreitadas com fitas
Estancar as falaceas
Lograr por meios dubios
Alcançar quiça,
vitorioso
Essa coisa de vida,
melancolicas,
sem as cores da Rosa
Algumas postumas e falsalegres
perspicazes peripécias
infinita (s) .
Dois tempos
Vias que se cruzam
Veias que entopem por excesso
movimentos
Estopim escasso
Cacos de fado
Rimas sem graça
Falta de cena
Vértebras que se quebram
nao de fragéis
Mas por um pacifico pressagio
Talvez, desalentos
Era pra nao soar como poesia
Embora a aurea favorecesse
as cinzas
...todavia
soam sinos, soam limbos
Soa o
corpo
Que afoito
Chora suor melodioso
Chora secreçoes mal ditas
- em tardes rubras
derradeiras
Estreitadas com fitas
Estancar as falaceas
Lograr por meios dubios
Alcançar quiça,
vitorioso
Essa coisa de vida,
melancolicas,
sem as cores da Rosa
Algumas postumas e falsalegres
perspicazes peripécias
infinita (s) .
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